segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BI-CENTENÁRIO DE JACOB RHEINGANTZ


200 ANOS DE JACOB RHEINGANTZ, 10 de agosto de 2017
Por seu tetraneto, Carlos Guilherme Rheingantz

Em Sponheim, Alemanha, a casa onde Jacob Rheingantz nasceu
O empresário Jacob Rheingantz trouxe, durante quatro décadas, um contingente enorme de gente que mudaria as feições econômicas da zona meridional da então Província do Rio Grande do Sul que só se ocupava com a pecuária. (Edilberto Luiz Hammes, março de 2017).

“A agricultura será a salvação da Província do Rio Grande; e os seus filhos que isso reconhecem, muito terão feito na Assembleia Provincial para animar o seu desenvolvimento. O lado norte da Província tendo abraçado com fervor esse ramo de vida, acha-se hoje florescente, enquanto que o sul definha por cuidar meramente do gado vacum. Verdade é que se fizeram algumas experiências com as projetadas colônias do Monte Bonito e do Fragata, mas, ou por falta de vontade ou por esterilidade do terreno, nenhuma das duas chegou a vingar! Hoje as coisas têm tomado outro rumo e, ao que parece, o município de Pelotas passará em breve a ter um estabelecimento colonial graças aos esforços de um estrangeiro ativo e laborioso, o sr. Jacob Rheingantz que, compenetrando-se dessa necessidade, tomou a deliberação de ir à Europa engajar braços. ( capa da edição número 2.703, de 9 de janeiro de 1858, do jornal Diário de Rio Grande)

E foi graças a Rheingantz que nossa Zona Sul começou a desenvolver e a mostrar sua pujança plutonômica no setor agrícola. Trazendo milhares de colonos, especialmente da Pomerânia, num período que durou aproximadamente de 1858 a 1890, Jacob proporcionou a alavancagem do progresso, com a fundação da Colônia de São Lourenço que, à época, fazia parte do município pelotense. (Edilberto Luiz Hammes, março de 2017).



Carlos Guilherme Rheingantz visita Edilberto Hammes,, em São Lourenço,
recebendo deste médico e escritor sua importante obra
"A Imigração Alemã para São Lourenço do Sul".
Antes da fundação da Colônia de São Lourenço, Jacob Rheingantz residira nas cidades de Rio Grande e de Pelotas, com carreira ascendente no comércio local por longos anos, familiarizando-se com as condições regionais de vida, com as realidades presentes e as perspectivas futuras. Teve a idéia e vontade de fundar uma colônia com conterrâneos seus, e as terras que lhe interessaram foram detidamente examinadas e consideradas ideais para a pretendida colonização. Conhecendo as condições de vida na Alemanha, e as aspirações dos elementos que pretendia atrair para povoar essa região virgem, estudou atentamente a legislação brasileira, não só em relação à colonização, prevendo as emergências que poderiam surgir, tudo calculando e medindo. Ao lançar-se ao empreendimento, sabia exatamente quais os fatores a levar em consideração para o seu sucesso. Não era uma aventura.
Houveram tentativas anteriores para a colonização da área escolhida por Rheingantz e Guimarães, tanto por iniciativa privada como provincial. Com a fundação da Associação Auxiliadora da Colonização de Estrangeiros, em Pelotas – 1850, houve apoio aos imigrantes irlandeses que fundaram as colônias D.Pedro II e Monte Bonito, pouco depois por eles abandonadas. Discursos de deputados provinciais, em 1847, comprovam a hipótese do interesse Provincial. (Moacir Böhlke, 2003)

Ainda em 1848, Jacob casou-se com uma enteada de seu patrão, d.Maria Carolina Von Fella (nascida a bordo de uma fragata dinamarquesa ao entrar na barra de Rio Grande, em novembro de 1829), filha legítima e única dos irlandeses barão Carlos Adams Von Fella (morreu afogado) e d.Joanna Hillert Martin. Tiveram 10 filhos, o primeiro batizado de Carlos Guilherme Rheingantz (nascido em abril de 1849) que, mais tarde, fundou a primeira confecção brasileira – conhecida internacionalmente como UNIÃO FABRIL, seus produtos com a marca RHEINGANTZ.

Jacob Rheingantz nasceu no dia 10 de agosto de 1817 na pequena aldeia alemã de Sponheim, então pertencente à Prússia Renana. A família Rheingantz, antes Rheingans, passou a ser conhecida, a partir do ano de 1570, na Rhenania, Bacharach, Steeg, Rheinböllen e Sponheim, região compreendida entre os cursos dos rios Reno e Moselle. Empreendedores, no Brasil seu precursor foi Jacob Rheingantz, fundador da Colônia de São Lourenço no sul do Rio Grande do Sul, e alguns de seus descendentes diretos foram industrialistas, agropecuaristas, comerciantes e políticos destacados, exercendo importante papel na evolução econômica e política gaúcha e brasileira.
Genealogia dos Rheingantz
Antes da fundação da Colônia de São Lourenço, Jacob Rheingantz residira nas cidades de Rio Grande e de Pelotas, com carreira ascendente no comércio local por longos anos, familiarizando-se com as condições regionais de vida, com as realidades presentes e as perspectivas futuras. Teve a idéia e vontade de fundar uma colônia com conterrâneos seus, e as terras que lhe interessaram foram detidamente examinadas e consideradas ideais para a pretendida colonização. Conhecendo as condições de vida na Alemanha, e as aspirações dos elementos que pretendia atrair para povoar essa região virgem, estudou atentamente a legislação brasileira, não só em relação à colonização, prevendo as emergências que poderiam surgir, tudo calculando e medindo. Ao lançar-se ao empreendimento, sabia exatamente quais os fatores a levar em consideração para o seu sucesso. Não era uma aventura.
A Colônia de São Lourenço, fundada em 1858 por Jacob Rheingantz na Serra dos Tapes, à margem do rio Camaquã, município de Pelotas, Rio Grande do Sul, desenvolveu-se crescendo e prosperando até atingir sua autonomia sob a forma de município, única e exclusivamente sob a administração privada, sem necessidade de ser encampada pelo governo. A dedicação de Jacob ao projeto foi muito importante, do seu ponto de vista a colônia não sendo apenas uma iniciativa comercial, uma aplicação de capital e trabalho destinada a proporcionar, no futuro, lucros e proveitos compensadores, mas uma obra que realizaria, transformando uma região bruta e agreste num centro humano de atividade produtora, facultando a semelhantes seus a oportunidade de erguer um lar fecundado pelo trabalho num solo que viria a ser deles, realizando uma aspiração que, na Alemanha, não se tornava possível, contribuindo para o bem estar de muitos e para a incorporação de novas glebas de lavoura às imensidades do jovem Brasil.


Em 1857 Jacob Rheingantz formou uma sociedade com José Antônio Oliveira Guimarães, luso-brasileiro muito rico e morador à margem esquerda do rio São Lourenço que já havia doado 1/8 de légua para a construção de um vilarejo no litoral de São Lourenço em 1850. Nessa sociedade, visando estabelecer uma colônia agrícola na Serra dos Tapes, num contrato com a duração de 5 anos sujeito a prorrogação se interessante aos dois sócios, Oliveira Guimarães compraria tais terras entre os arroios Grande e São Lourenço, prepararia com antecedência grande quantidade de agasalhos para quando os colonos chegassem, assim como o seu transporte do porto até a colônia, alem de abastecê-los com bovinos, ovinos e aves para criação podendo, ainda, tirar o dinheiro a prêmio para as medições das terras compradas e sua subdivisão. A Rheingantz caberia o encaminhamento dos colonos, por meios legais, para os estabelecimentos coloniais da sociedade, abastecendo-os de comestíveis e ferramentas agrícolas por 6 meses a contar de sua chegada ao porto. Diz, ainda, que o agrimensor Othon Knüppeln foi contratado para os serviços topográficos, e que Oliveira Guimarães conseguiu os recursos, junto a terceiros, para financiar o empreendimento. (Eduardo Yepsen, 2008)
Conforme carta que lhe foi escrita pelo seu procurador ou correspondente, Luís Braga, inicialmente pensou Jacob em formar uma empresa colonizadora, com participação de outros sócios para formar o capital necessário. Não conseguindo formar a sociedade que imaginara, decidiu-se Jacob a levar adiante sua empresa individualmente, com seus próprios e exclusivos recursos.
A 18 de janeiro de 1858 chegam os primeiros colonos, 88 pessoas embarcadas no “Twee Vrieden”, em Hamburgo a 31/10/1857, instalando-se nas picadas dos Moinhos e de São Lourenço, onde tudo era mata virgem dotada de madeiras de lei.

Simulação da chegada dos colonos a São Lourenço, arqu.Diário Popular

Desanimada aquela gente, antes tão disposta ao trabalho, coube a Jacob Rheingantz tomar as providências para que não fracassem seus esforços, e as picadas e caminhos foram abertos levantando-se ranchos e acampamentos, adiantando-se prodigiosamente o trabalho de colonização. A cada colono competia uma área de 100 braças de frente por 1000 de fundo, salvo quando na condição topográfica do terreno não fosse permitido tal extensão. Jacob emprestava dinheiro particular para os colonos, devidamente documentado.

Das diversas empresas de colonização no Brasil, sòmente uma iniciativa não malogrou: a colônia de São Lourenço, fundada por Jacob Rheingantz na Serra dos Tapes, à margem do curso sinuoso do Camaquã, município de Pelotas, no Rio Grande do Sul, vencidas as dificuldades naturais a este gênero de empreendimento desenvolvendo, crescendo e prosperando até atingiu sua autonomia sob a forma de município, única e exclusivamente sob administração privada sem necessidade de ser encampada pelo governo como ocorreu com todas as demais, graças ao espírito com que o fundador concebeu-a e orientou-a, conduzindo o seu desenvolvimento. Jacob dominou todos seus atos e iniciativas com a preocupação pelo empreendimento, como o bem-estar e satisfação dos colonos revelada nas concessões que lhes fez em numerosas ocasiões, pelos auxílios generosos com que favoreceu a criação de escolas e igrejas na colônia e, desde o início, na construção de sua mansão familiar, a casa de sua residência, no seio da própria colônia para estar no centro de sua obra acompanhando, de perto, o seu crescimento.

A casa de Jacob Rheingantz, em São Lourenço do Sul

A angústia com o resultado que, por questão de honra, deveria ser positivo para ele, minou sua saúde e seu coração que de forma fulminante o matou, aos 60 anos de idade, quando se encontrava caminhando pelas ruas da cidade norte-alemã de Hamburgo a procura de novos braços de trabalho para o progresso do Brasil. (Edilberto Luiz Hammes, março de 2017).
Do Barão de Lucena, então Ministro da Agricultura, o pensamento:
“A Colonia de São Lourenço é uma maravilha, e Jacob Rheingantz um benemérito”.
Jacob Rheingantz

Em 18 de janeiro de 1958, o centenário da colonização de São Lourenço do Sul foi devidamente comemorada, com a presença de diversos descendentes, e familiares, de jacob Rheingantz, churrasco e cerveja muito fartos, e presença de autoridades importantes como o governador do RS, Ildo Meneghetti, e o bispo D.Antônio Záttera. Representando a família Rheingantz, o discurso ficou por conta de Oscar Luis Osório Rheingantz. Alguma ilustração dos festejos nas fotos a seguir:


1958 - Oscar Rheingantz discursa, com o gov.Ildo Meneghetti e
D.Antônio Záttera à sua direita

Descendentes de Jacob Rheingantz:  as gregas Victória e Georgina Rheingantz, as duas Marias (espôsas
de Kurt e de Jacques Rheingantz), Maria Helena e Marina Rheingantz, Márcia e Vera, Carlos Guilherme
e Paulo Afonso - 1958
O casal mais velho de colonos, em 1958.










Em 03 de julho recente o jornal O LOURENCIANO, de São Lourenço do Sul, publicou sobre a visita deste autor a Edilberto Luiz Hammes, quando dêle recebeu sua importante obra IMIGRAÇÃO ALEMÃ PARA SÃO LOURENÇO DO SUL, devidamente autografada, em que parte da história de Jacob Rheingantz está muito bem contada.



Em 05 de agosto de 2017, o médico e escritor EDILBERTO LUIZ HAMMES, cujos pentavós eram os avós paternos de Jacob Rheingantz, lançou em São Lourenço do Sul sua nova obra com mais de 900 fôlhas, intitulada DICIONÁRIO DE SOBRENOMES DE ORIGEM ALEMÃ DE SÃO LOURENÇO DO SUL E DAS COLÔNIAS ADJASCENTES. Na oportunidade, Hammes dedicou a obra a Jacob Rheingantz e homenageou seu segundo centenário de nascimento que ocorrerá no próximo dia 10. Descendentes de Jacob estavam presentes, como Francisco Alberto Rheingantz Silveira e Suzana Rheingantz Silveira, acompanhados por Maria Rejane Silveira da Silveira e Fermin Luiz Perez Camisow - todos de Porto Alegre.


Na seleta mesa de lançamento do DICIONÁRIO, da esquerda para a direita estavam Rudinei Härter (Prefeito Municipal), Edilberto Hammes, Dari Pagel (Presidente da Câmara de Vereadores), Francisco Alberto Rheingantz Silveira (representando a família Rheingantz), e Ingolf Kaltbach (advogado e professor, orador oficial), conforme fotos acima e abaixo:


Nesse mesmo dia, no Diário Popular de Pelotas foi publicado o artigo 200 ANOS DE RHEINGANTZ, do autor deste blog.



Bibliografia

1.      Jacob Rheingantz, fundador da Colônia de São Lourenço, seus ascendentes e descendentes – por seu bisneto Carlos Grandmasson Rheingantz, Revista Genalógica Brasileira, 1941, nº 4.
2.      A Colônia de São Lourenço e seu Fundador Jacob Rheingantz – Vivaldo Coaracy, Oficinas Gráficas Saraiva S.A., 1957.
3.      Colônia de São Lourenço – comendador Carlos Guilherme Rheingantz, 1907 (edições em alemão e português)
4.    A Imigração Alemã para São Lourenço do Sul – Edilberto Luiz Hammes, 2014

sábado, 16 de novembro de 2013

CIA.UNIÃO FABRIL - TECELAGEM RHEINGANTZ

As instalações industriais

Os edifícios e escritórios que abrigaram a Companhia União Fabril situavam-se, desde a fundação até seu encerramento, na Avenida Rheingantz nº 201, na cidade de Rio Grande-RS, ainda hoje podendo ser visitadas, embora quase em ruínas. As oficinas eram instaladas em pavilhões isolados, paralelos uns aos outros, muito bem arejados, e os que foram construídos mais tarde dispunham de cobertura “shed”, com ótima iluminação natural. Alem de ambiente com calor e umidade controlados, por motivos técnicos impostos pela natureza do trabalho, as salas onde o serviço não exigia contínua movimentação dos operários dispunham de sistema de calefação. A área total pertencente à emprêsa era de 155 mil m², com área industrial coberta de 45 mil m². O acesso à fábrica era feito pelo portão central, situado embaixo e ao lado dos escritórios, por onde entrava a matéria-prima em caminhões e saiam os produtos acabados após cuidadosa elaboração por competentes empregados que, juntamente com os administrativos, somavam 1200 pessoas num parque de máquinas da mais moderna fabricação, algumas delas até hoje em condições de funcionamento, podendo produzir com alta qualidade.


A principal matéria-prima utilizada era a lã nacional, proveniente das estâncias gaúchas, adquirida diretamente dos estancieiros ou das cooperativas e barracas. A lã das estâncias vinha acondicionada em bolsas contendo os velos de cada ovelha amarrados em separado; a das cooperativas e barracas já vinha classificada e separada. Havia grande estocagem de matéria-prima por se tratar de produção sazonal, com grande imobilização de capital, chegando a 2 mil toneladas de produto por temporada.



Muito embora as Indústrias Rheingantz rivessem se estabelecido no extremo sul do país, sua criação ocorreu em fase tão precoce que é impossível ignorá-las devido ao seu pioneirismo... Ainda que Pelotas oferecesse maiores recursos financeiros, a cidade de Rio Grande foi excolhida para sediar essas indústrias por ser o único porto marítimo do estado, pelo qual passava toda a importação e exportação. (Günter Weimer, apresentação da obra UMA VILA OPERÁRIA EM RIO GRANDE, de Vivian da Silva Paulitsch, 2008)

No Rio Grande do Sul, as situações de desenvolvimento determinadas pelo encilhamento e, mais tarde, pela reforma aduaneira, durante o governo de Campos Sales, contribuíram para o surgimento de indústrias e para a expansão do setor têxtil. Assim, excetuando a Cia.União Fabril, todas as outras fábricas de tecidos do Estado se instalaram no período republicano.
A Cia.União Fabril (ex Rheingantz & Vater) foi fundada em 1874, em Rio Grande; a Cia.Fiação e Tecidos Porto-Alegrense, em 1891, em Porto Alegre; Santos Bocchi e Cia., Cia. de Tecelagem Ítalo-Brasileira em 1906, em Rio Grande;Cia.de Fiação e Tecidos Pelotense S/A, em 1908, em Pelotas; e a Cia.de Tecidos de Lã, em 1909, em Caxias do Sul. (Günter Weimer, apresentação da obra UMA VILA OPERÁRIA EM RIO GRANDE, de Vivian da Silva Paulitsch, 2008)

As pradarias do Sul e os campos ricos da fronteira, povoados por rebanhos diversos, entre os quais se destacam os de gado ovino, com raças lanígeras apuradas que forneceram as fibras àquela próspera e ativa indústria têxtil, cujos panos e artefatos conquistaram renome e dominaram o mercado consumidor, têm sua história econômica ligada ao nome de um dos mais ilustres rio-grandenses, o Comendador Carlos Guilherme Rheingantz, cujas iniciativas, no campo industrial, pastoril e agrícola, representam a semente que, lançada em fins do século XIX, frutificou nos dias atuais através das grandes realizações de uma população inteira dedicada ao trabalho produtivo do pastoreio, agricultura e indústria. (Revista Paulista de Indústria, dezembro de 1955, nº 41 – separata)

As indústrias mais sofisticadas, como a tecelagem e de chapéus, requeria maquinaria sofisticada, amplos pavilhões fabris, rígido controle do operariado e uma disciplina férrea, que era contrabalançada com uma assistência direta aos empregtados, na forma de concessão de moradia, de escola para os filhos dos empregados, na constituição de clubes para os empregados mais graduados (Günter Weimer, apresentação da obra UMA VILA OPERÁRIA EM RIO GRANDE, de Vivian da Silva Paulitsch, 2008)


...sua Vila Operária com casas enfileiradas, isoladas para mestres, técnicos, um Grupo Escolar, Jardim de Infância, Cassino dos Mestres, Ambulatório Médico e Armazém Cooperativo. As casas feitas para os operários desde 1884 são edifícios que estão presentes, ainda hoje, na composição da paisagem urbana. Sendo assim, fazem parte de uma cultura arquitetônica daquele tempo e pode-se claramente observar que os construtores, dos quais não temos informações atualmente, conheciam estes modelos internacionais - pois existe um ambicioso desenho dentro do contexto deste conjunto de habitações. Tais construções evocam exemplos europeus na busca de uma modernização dentro da cultura internacional que estava disponível, inclusive, em periódicos e manuais. A análise da produção arquitetônica desta Vila Operária, foi feita através de uma comparação de imagens de modelos internacionais e nacionais com a produção arquitetônica obtida. Busca-se conhecer a culta visual dos construtores daquela época e o diálogo que eles estabeleceram com as obras de referência, até mesmo anteriores à sua época. Para tanto, fez-se necessário um estudo das vilas operárias têxteis que foram contemporâneas em São Paulo na segunda metade do século XIX, devido à cultura do café. Tais semelhanças proporcionaram uma maior compreensão deste tema e contribuíram para o álbum de imagens e tipologias dessas construções; haja visto que, bairros mais antigos da cidade de São Paulo como Bom Retiro, Brás, Moóca, Belém, Belenzinho, Lapa e Ipiranga estão repletos de vilas construídas junto às fábricas. Através desta busca de comparações, pôde-se ampliar as obras em referência a que se transporta este estudo de caso. (segundo  Vivian da Silva Palulitsch, em seu trabalho de tese na Unicamp com o título “RHEINGANTZ: UMA VILA OPERÁRIA EM RIO GRANDE-RS)

Outros blogs do mesmo autor:



domingo, 29 de setembro de 2013

A PRIMEIRA PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA


Com.Carlos Guilherme Rheingantz: o pioneiro da previdência social privada no Brasil



Tão logo o Comendador Rheingantz lançou definitivamente seu grupo de fábricas, sob a forma de uma grande sociedade, estabeleceu um serviço social para atender aos 900 empregados, antecipando-se às medidas governamentais postas em prática meio século após. Uma vila para operários foi construída, num total de 169 moradias com aluguéis módicos (muitas até hoje existentes). 





Os principais serviços assistenciais eram prestados por sistema cooperativo através da SOCIEDADE DE MUTUALIDADE, com quadro social constituído exclusivamente por empregados da emprêsa, e a finalidade de prestar aos sócios e seus familiares socorros médicos, farmacêuticos e pecuniários (se impossibilitados temporàriamente de trabalhar), de oferecer creche e restaurante intanto-juvenil aos seus filhos, de concorrer para os atos fúnebres, de manter um armazem de gêneros de primeira necessidade vendidos com reduzida margem de lucro (redistribuido anualmente na proporção das compras de cada um), de manter uma biblioteca, de ministrar aulas noturnas, de manter uma banda de música, de possibilitar a prática de bilhar, de outros esportes e de jogos em geral.




Cinco anos após, Rheingantz instituiu o FUNDO DE AUXÍLIOS CARLOS G.RHEINGANTZ, com a finalidade de prestar auxílios extraordinários a todos os empregados das fábricas em caso de viúvez, de amparo de filhos, de casamento e de invalidez. Este fundo subsistiu até o fechamento definitivo da empresa, com auxílios adaptados às condições e exigências em cada época.

Mais sobre a família Rheingantz poderá ser visto nas postagens mais antigas neste blog: sua origem, Jacob e São Lourenço do Sul, Com.C.G.Rheingantz e a União Fabril.

Do mesmo autor:

sábado, 22 de junho de 2013

OS TAPETES RHEINGANTZ e A PRIMEIRA FIAÇÃO PENTEADA DO BRASIL

A valorizada logomarca da Rheingantz

Tecidos de algodão no Distrito Federal
Em 1895 resolveu, o Comendador Rheingantz, fundar uma indústria de tecidos de algodão no Distrito Federal,. Lá seu filho mais velho, Carlos Frederico, estava para concluir o curso de engenharia. Ficou encarregado da montagem da fábrica um irmão do Comendador, Luiz Valentim Bernardo Rheingantz, nascido na Colônia de São Lourenço-RS em 1861, engenheiro civil pela Universidade de Zurich – Suíça. Infelizmente, ainda durante os estudos para a montagem da fábrica, foram ambos atacados pela febre amarela, falecendo Carlos Frederico a 4 de maio de 1895, e Luiz Valentim 9 dias depois. Com a perda do filho e do irmão, Rheingantz abandonou a iniciativa dessa fábrica.

A primeira fiação penteada do Brasil

As pradarias do Sul e os campos ricos da fronteira, povoados por rebanhos diversos, entre os quais se destacam os de gado ovino, com raças lanígeras apuradas que forneceram as fibras àquela próspera e ativa indústria têxtil, cujos panos e artefatos conquistaram renome e dominaram o mercado consumidor, têm sua história econômica ligada ao nome de um dos mais ilustres rio-grandenses, o Comendador Carlos Guilherme Rheingantz, cujas iniciativas, no campo industrial, pastoril e agrícola, representam a semente que, lançada em fins do século XIX, frutificou nos dias atuais através das grandes realizações de uma população inteira dedicada ao trabalho produtivo do pastoreio, agricultura e indústria. (Revista Paulista de Indústria, dezembro de 1955, nº 41 – separata)

Depois de tentar, com grande prejuízo, reviver a triticultura nos campos rio-grandenses, o Comendador toma nova iniciativa pioneira instalando, em 1904, a primeira fiação penteada do país, após minuciosos estudos e planejamentos concluídos em 1902, possibilitando à COMPANHIA UNIÃO FABRIL a fabricação de tecidos finos, casimiras, etc.

Destaque deve ser dado para o fato de a UNIÃO FABRIL ter sido a primeira indústria brasileira a fabricar panos de lã para as forças armadas nacionais, no fim do século XIX, quando eram importados da Europa.
O minucioso trabalho inicial com a lã na União Fabril


Os inigualáveis tapetes Rheingantz

Não se sabe a origem do tapete, não tendo sido encontrado um ponto de partida que possa servir como referência. Tem sido apresentada a versão de que as Índias instituíram seu fabrico e uso, parecendo possível porque nenhum outro país levou a um ponto tão avançado essa indústria, ou generalizou tanto o costume de uso desse objeto, embora outras referências o encontrem mais longe, na antiga cidade de Damasco e na pré-histórica China. O tapete é um objeto de luxo suntuário, acima de tudo elemento valioso de beleza para a decoração dos interiores e para a criação dos ambientes de conforto, tanto do lar como dos escritórios. Através dele conhece-se o gosto, a distinção e o refinamento de homens e povos, e até da sua própria cultura, através de sua utilização e fabricação. O Brasil sempre esteve colocado em excepecional posição pelo desenvolvimento conseguido por sua indústria de tapetes, concorrendo em perfeição e beleza com os centros mais adiantados do mundo nesse setor. A União Fabril produzia maravilhosos exemplares de tapetes, em quatro qualidades e em todos os estilos imagináveis, desde a miniatura e a filigrana dos desenhos persas até a geométrica sobriedade dos desenhos modernos, sempre com a famosa marca “RHEINGANTZ”.
Tapetes RHEINGANTZ sendo produzidos

Veja mais do mesmo autor:
www.blogdorheingantz.blogspot.com

Texto aproveitado do livro a ser editado "Dr.Oscar - e Seus Empreendedores Ascendentes", do autor deste blog.

sábado, 6 de abril de 2013

O PIONEIRO DA INDÚSTRIA TEXTIL BRASILEIRA

Comendador Carlos Guilherme Rheingantz
Pintura a óleo por Gustavo Rheingantz, pertencente ao autor deste blog
Carlos Guilherme Rheingantz nasceu em Pelotas-RS a 14 de abril de 1849, filho mais velho de Maria Carolina von Fella e Jacob Rheingantz, o fundador da Colônia de São Lourenço.

Em 1857, com oito anos de idade, viajou sòzinho em navio a vela para Hamburgo, matriculando-se no curso do profº Dr.H.Schleiden, concluido em 1865, completando sua formação cultural percorrendo
diversos países europeus, inclusive a Rússia. Regressou a Pelotas decidido a fundar uma indústria de tecelagem.
Maria Francisca e Carlos Guilherme

Casou-se em Rio Grande, a 1º de março de 1873, com D.Maria Francisca de Sá, filha do Comendador Miguel Tito de Sá e de D.Maria Delfina de Miranda Ribeiro.

Em julho de 1873, juntamente com seu sogro e o alemão Hermann Vater, constituiu a firma RHEINGANTZ & VATER, com o capital de 90 contos de réis, montando no mesmo ano a primeira fábrica de tecidos de lã no Brasil, a Companhia União Fabril, com sede na mais antiga cidade do Rio Grande do Sul, fundada em 1737: Rio Grande. As filiais espalharam-se por todo o Brasil, e assim 
nasceu a indústria de tecidos de lã no Brasil. A União Fabril foi a primeira e, por muitos anos, a única no gênero em todo o país, logo Rheingantz estreitando contatos com os países europeus visitando, constantemente, suas indústrias, daí resultando melhoramentos cada vez maiores nos estabelecimentos da União Fabril, sempre antecipada nas realizações do ramo têxtil brasileiro. No começo do século XX visitou os EUA.
Frente da União Fabril e sua diretoria, 1923
Muito embora as Indústrias Rheingantz tivessem se estabelecido no extremo sul do país, sua criação ocorreu em fase tão precoce que é impossível ignorá-las devido ao seu pioneirismo. Ainda que Pelotas oferecesse maiores recursos financeiros, a cidade de Rio Grande foi escolhida para sediar essas empresas por ser o único porto marítimo do estado, por onde passava toda a importação e exportação. (Günter Weimer, apresentação da obra UMA VILA OPERÁRIA EM RIO GRANDE, de Vivian da Silva Paulitsch, 2008)

Com o falecimento de Jacob Rheingantz, Carlos Guilherme assumiu a direção dos trabalhos que vinham sendo realizados na colonização de São Lourenço do Sul, passando-a um ano após a seus irmãos por necessitar de dedicação exclusiva sua indústria têxtil em Rio Grande. 
        
Industrial de Chapéus: apesar do ambiente avesso às realizações industriais, estendeu sua atividade à cidade de Pelotas adquirindo, em 1881, a Fábrica de Chapéus Pelotense que ganhou, sob sua orientação, novo impulso e desenvolvimento.
Comenda do Rosa, pertencente ao autor deste blog

Comendador: em 27 de outubro de 1883, face ao trabalho desenvolvido para o surgimento e implantação da indústria da lã no Brasil, foi agraciado por Decreto Imperial com a Comenda da Ordem da Rosa, que lhe foi entregue por D.Pedro II.

TriticultorSempre preocupado com o progresso, lançou-se Rheingantz na cultura do trigo em escala comercial, contratando um conhecido técnico alemão que, durante alguns anos, percorreu detalhadamento o Estado estudando as possibilidades de cada região optando, afinal, pelo município de Dom Pedrito. Comprou terras para cultivos experimentais que, com sementes obtidas em várias partes do mundo, não deram satisfatório resultado econômico, tendo o Comendador se convencido da dificuldade do cultivo desse cereal em larga escala.

Primeira tecelagem de algodão brasileiraa 11 de fevereiro de 1884 a sociedade RHEINGANTZ & VATER foi dissolvida, sendo a emprêsa reestruturada sob a forma de Sociedade em Comandita, sob a razão social de Rheingantz & Cia., e capital social de 600 contos de réis. Foram ampliadas as instalações industriais com a montagem, ao lado da fábrica de tecidos de lã, de outra destinada ao fabrico de panos de algodão, a primeira a produzir esses tecidos no Estado do Rio Grande do Sul e no Brasil. 
O desenvolvimento das atividades provoca sucessivos aumentos de capital, elevado para oitocentos contos de réis em 1886 e mil contos de réis dois anos após. Nessa época, a fábrica estava bastante desenvolvida fabricando cobertores, panos, capas e sarjas, graças à tenacidade de seu fundador que soube superar as condições de um meio estranho destituído de recursos, apenas um centro de importação e exportação como era a cidade de Rio Grande. 
Ryeland

Corriedale

Merino Australiano

Polwarth/Ideal

Romney Marsh

A sociedade anônima e a atividade pastorilem 1891, o Comendador tomou a iniciativa de juntar à atividade de tecelagem a produção da matéria-prima, a lã, transformando a Sociedade Comanditária em S.A. - COMPANHIA UNIÃO FABRIL E PASTORIL, capital de cinco mil contos de réis. Contratando um zootecnista inglês, adquiriu valioso plantel de reprodutores ovinos das raças Merino Australiana, Corriedale, Romney Marsh e Polwarth (Ideal), cuja produção logo foi distribuída para os fornecedores da empresa, assim como alguns poucos exemplares da raça inglesa Ryeland. Durante a revolução de 1893 as tropas cruzaram várias vezes através dos campos de criação de ovinos da empresa, abatendo para seu consumo quase todos os animais incluido o valiosos plantel de reprodutores importados, e o inglês responsável pelo projeto ovino irritou-se e voltou para a Inglaterra.
Não fosse a revolução, certamente Carlos Guilherme teria contribuído para maior e melhor desenvolvimento da produção de lã estimulando os estancieiros daquela época. Em consequência, a denominação da sociedade passou a COMPANHIA UNIÃO FABRIL, em 18 de julho de 1895, reduzindo seu capital social para 3.500 contos de réis. Ainda nessa ocasião, o Comendador foi insistentemente convidado por Joaquim Francisco de Assis Brasil para aceitar candidatar-se à presidência do Rio Grande do Sul, recusando sempre por sua declarada aversão à política, apesar de ter sido vereador em Rio Grande.

No Rio Grande do Sul, as situações de desenvolvimento determinadas pelo encilhamento e, mais tarde, pela reforma aduaneira, durante o governo de Campos Sales, contribuíram para o surgimento de indústrias e para a expansão do setor têxtil. Assim, excetuando a Cia.União Fabril, todas as outras fábricas de tecidos do Estado se instalaram no período republicano.
O complexo industrial da União Fabril

A Cia.União Fabril (ex Rheingantz & Vater) foi fundada em 1874, em Rio Grande; 
a Cia.Fiação e Tecidos Porto-Alegrense, em 1891, em Porto Alegre; 
Santos Bocchi e Cia., Cia. de Tecelagem Ítalo-Brasileira em 1906, em Rio Grande;
Cia.de Fiação e Tecidos Pelotense S/A, em 1908, em Pelotas; e a Cia.de Tecidos de Lã, 
em 1909, em Caxias do Sul. (Günter Weimer, apresentação da obra UMA VILA OPERÁRIA EM RIO GRANDE, de Vivian da Silva Paulitsch, 2008)


Texto desta postagem adaptado do livro a ser brevemente impresso “Dr.Oscar”, do autor deste blog.




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

JACOB RHEINGANTZ E A COLONIZAÇÃO DE SÃO LOURENÇO DO SUL - V


Morre Jacob

Após a obtenção da posse incontestável das novas áreas, traçadas novas picadas, demarcados novos lotes, abertas novas estradas e caminhos, realizada nova seleção rigorosa dos elementos capazes e idôneos para povoar as novas terras, Jacob decidiu visitar as novas condições da Alemanha depois da guerra de 1870. Certo de que a colônia, tranqüila e próspera, progredia em ordem, podendo dispensar por algum tempo sua presença, embarcou para sua terra natal que há 20 anos não visitava. Pouco depois de chegar, faleceu inesperadamente em Hamburgo a 15 de julho de 1877, quando se dedicava aos trabalhos para a ampliação e desenvolvimento de sua obra. Sua morte, prematura aos 60 anos de idade, foi muito sentida, pois ainda estava Jacob Rheingantz na plena posse de sua capacidade física e intelectual, e muito ainda se esperava de sua ampla visão realista, de sua incansável dedicação, e da confiança nele depositada para o desenvolvimento daquela colônia.
Com a morte de Jacob, assumiu a direção de seus negócios o filho mais velho, Carlos Guilherme que, aos 25 anos (em 1873), fundaria na cidade de Rio Grande a primeira fábrica de tecidos de lãs do Brasil, posteriormente conhecida por União Fabril e Mercantil, inaugurando a “era da indústria capitalista brasileira”.
Os sucessores do Fundador insistiam, como ele o havia feito, para que o Governo cumprisse a parte que lhe competia, numa clara definição de responsabilidades. Mostrava a sucessão de Jacob Rheingantz que não se restringiriam a recolher a herança material que lhes cabia, assumindo o mesmo interesse e zelo pelo bem estar moral e espiritual dos colonos, com mão firme tomando as rédeas da empresa, assumindo seus encargos, prosseguindo na obra de colonização desenvolvendo-a e ampliando-a de acordo com a orientação inicial.

Merecendo reverencias e tributos de gratidão à sua memória do Barão de Lucena, então Ministro da Agricultura, o pensamento:
“A Colonia de São Lourenço é uma maravilha, e Jacob Rheingantz um benemérito”.



Esta postagem baseia-se no livro a ser brevemente editado, deste bloguista, intitulado "Dr.OSCAR".

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

JACOB RHEINGANTZ e SÃO LOURENÇO DO SUL - IV


O trabalho de Jacob


Jacob Rheingantz viu realizado o seu sonho dourado, com a chegada dos primeiros colonos, 88 pessoas embarcadas no “Twee Vrieden”, em Hamburgo, a 31/10/1857.
A colônia iniciou com grande pobreza, devido à falta de recursos. Consta que apenas existiam as casas de Antonio Francisco de Abreu e de José Antonio de Olivieira Guimarães, sendo as demais vivendas, pequenos e acanhados ranchos. Não foi possível completar a colonização em cinco anos, face à precariedade das instalações e outros motivos de ordem material, resolvendo então o governo conceder um auxílio por pessoa autorizando, ainda, a construção de estradas na zona colonizada, mas que não constituía um favor e, sim, estímulo e apoio moral a Jacob Rheingantz.

São Lourenço desenvolveu-se, crescendo e prosperando até atingir sua autonomia sob a forma de município, única e exclusivamente sob a administração privada sem necessidade de ser encampada pelo governo.

A grande casa construída por Jacob Rheingantz para sua família (figura do livro de V.Coaracy)


Reuniões entre os colonos e o fundador, em sua grande casa, marcaram o progresso do empreendimento que, como é natural, enfrentou vários problemas e crises. Numa delas, em 24 de agosto de 1862, resolveram que seriam eleitos “inspetores” para zelar pelo bem geral e pela ordem, um para cada Picada; foram eleitos 6 inspetores, sendo eles: George Born (do distrito do arroio de S.Lourenço até o arroio Cachoeira), Bernardo Schneider (do arroio Cachoeira na Picada dos Moinhos até a Roça), João Dietrich 2º (da Roça até o arroio Bom Jesus, inclusive a Picada das Antas), Fernando Nickel (do arroio Bom Jesus à Picada Bom Jesus), João Becker (desde a Roça e Picada da Boa Vista até Felix Soares) e Carlos Ritter (para a Picada dos Quevedos). Os eleitos, aceitando, estabeleceram uma “Carta de Deveres”(Coaracy, 1957, p.71), tanto para os inspetores como para os colonos. Ainda neste mês, foi firmado o compromisso dos colonos em contribuir para a construção de uma escola, assim como para o pagamento aos professores, comprometendo-se Jacob de comprar as telhas doando, também, o respectivo terreno, ao final tendo sido lavrado documento em alemão (Coaracy, 1957, p. 77). Em 1863 surgiu a primeira escola, em Picada Moinhos, chegando a 16 no ano de 1877.

A solução das escolas particulares não era totalmente satisfatória, pois o ensino apresentava deficiências inevitáveis. As condições rústicas de moradia numa Colônia não tentariam professores afeitos ao conforto urbano, a menos que lhes fosse oferecida uma boa remuneração, o que era inviável, ocupando o lugar dos mestres alguns dos colonos, nem sempre dotados de suficiente instrução. Consciente disso, em todos os relatórios anuais que o Diretor da Colônia enviava ao Governo da Província, insistia sobre a necessidade de dotar a Colônia de escolas públicas que se enquadrassem no sistema de instrução brasileiro.
Em relação ao culto religioso, deveria ser considerado que a maioria dos colonos era protestante, divididos entre várias denominações evangélicas, existindo ainda uma parcela considerável de católicos. Não querendo tomar qualquer iniciativa, Jacob preferiu deixar que os próprios colonos resolvessem, por acordo entre si, o problema, o que não ocorreu. No ano seguinte, numa proposta do Diretor datada de 30 de novembro de 1865, este doaria para cada religião 6.000 braças quadradas de terra na entrada da Picada Boa Vista, canto da Picada dos Moinhos, à direita para uma e à esquerda para outra religião, devendo ser vendido pelo melhor preço aquele terreno que já havia sido por ele doado a esta causa.
Passava a colônia por um período turbulento, Jacob e família sentindo-se ameaçados. Com a “aposentadoria” dos chamados COLONOS INSPETORES em virtude do envio pelo governo provincial de um destacamento policial comandado pelo tenente Francisco de Sá Queirós (não entendia alemão), destacamento mal recebido por desagrado geral. Um edital publicado em 25 de novembro de 1867, assinado por Sá Queirós, gerou um clima de inconformidade entre os colonos. Tal “edital”, resumido, determinava a proibição de armas pelo moradores da colônia, dizia que os falecimentos teriam de ser comunicados sem demora pelos familiares, e que os enterros sòmente seriam realizados após a apresentação do respectivo atestado de óbito firmado por médico; ditava que a realização de bailes públicos ou particulares só ocorreriam com sua prévia licença e, sob pena de prisão, proibia ajuntamento com mais de 3 pessoas e jogos nas vendas.
O clima gerado pelo documento causou grande inconformidade entre os colonos, trazendo à tona várias queixas contra Jacob Rheingantz. Um grupo de aproximadamente 200 invadiu o Quartel do destacamento, desarmando seus policiais e apoderando-se de suas armas indo, após, até a residência da família Rheingantz, invadindo-a e destruindo suas dependências e mobiliário. Exigindo que Jacob assinasse documentos declarando ter entregue “dinheiros recebidos”, e dar quitação de outras importâncias, sob coação fizeram  o Ten.Queirós assinar como testemunha da extosão. Abandonando a Colônia, o “fundador” foi para Rio Grande, relatando o ocorrido ao Governo Provincial. Em janeiro de 1868 foi enviada uma força policial de 68 praças, comandados pelo Barão de Kahlden (diretor da Colônia de Santo Ângelo) e o Chefe de Polícia da Província, para restabelecer a ordem e, prendendo os 5 cabeças do motim, removeu-os para Pelotas onde foram processados. Ao fim de alguns meses, o Barão de Kahlden conseguiu restaurar as antigas condições de harmonia e trabalho, e Jacob retornou à Colônia reassumindo sua direção.
Muito mais dispendeu Jacob com seus agentes na Europa, e a subvenção fora paga para apenas 1440 colonos, na época já com alguns milhares estabelecidos. Foi uma obra de grande sacrifício, mas de extraordinária relevância para o desenvolvimento do país, obtendo o serviço prestado por Jacob Rheingantz maior mérito por se tratar de uma colônia isolada, onde todas as iniciativas eram cercadas das maiores dificuldades, merecendo reverencias e tributos de gratidão à sua memória, vindo do Barão de Lucena, então Ministro da Agricultura, o pensamento 

“A Colonia de São Lourenço é uma maravilha, e Jacob Rheingantz um benemérito”.

Esta postagem baseia-se no livro a ser brevemente editado, deste bloguista, intitulado "Dr.OSCAR".